Celso Ming (O Estado de S.Paulo)
Depois que a própria direção reconheceu o desastre de 2012 e
previu que resultados ainda piores podem vir em 2013, é preciso entender
que a Petrobrás não está dando conta das tarefas de que foi investida.
É areia demais para seu caminhão. Não consegue cumprir todas as
metas impostas pelo governo. Não se mostra capaz de, ao mesmo tempo,
aumentar a produção, ajudar no combate à inflação, fazer caixa para o
enorme programa de investimentos, servir de alavanca para a indústria
nacional de fornecimentos e, ainda, contribuir decisivamente para as
contas públicas de Estados e municípios, com polpudos pagamentos de
royalties.
Essa múltipla trombada entre objetivos de política econômica é
recorrente no governo Dilma – que também quer derrubar os juros a níveis
recordes, puxar o câmbio para dar competitividade à indústria, emplacar
um “pibão grandão” a cada ano, manter a inflação mais ou menos
controlada, investir centenas de bilhões de dólares por ano sem ter
poupança para isso e continuar gastando à vontade para fazer uma
política anticíclica e, além disso, tentar ostentar um mínimo de
austeridade fiscal.
O resultado é a progressiva desarrumação da economia,
provavelmente nas mesmas proporções em que estão sendo desarrumadas as
finanças da Petrobrás. Pelo menos a presidente, Graça Foster é mais
sincera sobre estragos na área dela do que tem sido o ministro da
Fazenda, Guido Mantega, sobre os estragos na área dele.
A política de congelamento de preços dos derivados de petróleo é
da mesma qualidade que a política de congelamento de preços e salários
imposta pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Mas não é só
por isso que ela é condenável. É, também, por sabotar a capacidade de
investimentos da Petrobrás. Ou o governo Dilma revê o Plano de Negócios
da Petrobrás ou revoga esse regime de preços dos combustíveis.
Há seis anos não é realizada nova licitação de áreas para
exploração de petróleo. O governo Dilma finalmente concordou em fazer
mais duas: uma na área do pós-sal (acima da camada de sal), agendada
para maio, e outra, no pré-sal, prevista para novembro.
O novo marco regulatório exige que, nas licitações do pré-sal,
onde o regime de concessão será de partilha, a Petrobrás será obrigada a
entrar em todos os projetos com participação de, ao menos, 30% em cada
um. Entre as áreas a serem licitadas está o Campo de Franco,
comprovadamente uma jazida gigantesca de óleo e gás. Significa que o
prêmio a ser pago pelos vencedores da licitação dessa área pode chegar a
dezenas de bilhões de dólares. Ou a Petrobrás será obrigada a concorrer
com novos e enormes desembolsos ou a licitação será novamente adiada –
até que a capacidade de investimentos da Petrobrás seja recomposta.
Outra hipótese será a revogação da exigência dos 30%.
Não só os governos Dilma e Lula devem ser responsabilizados pelo
desmanche da Petrobrás. Seus funcionários, sempre grandes parceiros no
processo de engrandecimento da empresa, hoje se omitem. Mobilizam-se
para greves com o objetivo de elevar sua participação nos lucros da
empresa. Mas não se mostram empenhados em que a Petrobrás se restabeleça
e volte a apresentar bons resultados.