domingo, 10 de fevereiro de 2013

A PETROBRAS E O “DESASTRE DE 2012″

Celso Ming (O Estado de S.Paulo)
Depois que a própria direção reconheceu o desastre de 2012 e previu que resultados ainda piores podem vir em 2013, é preciso entender que a Petrobrás não está dando conta das tarefas de que foi investida.
É areia demais para seu caminhão. Não consegue cumprir todas as metas impostas pelo governo. Não se mostra capaz de, ao mesmo tempo, aumentar a produção, ajudar no combate à inflação, fazer caixa para o enorme programa de investimentos, servir de alavanca para a indústria nacional de fornecimentos e, ainda, contribuir decisivamente para as contas públicas de Estados e municípios, com polpudos pagamentos de royalties.
Essa múltipla trombada entre objetivos de política econômica é recorrente no governo Dilma – que também quer derrubar os juros a níveis recordes, puxar o câmbio para dar competitividade à indústria, emplacar um “pibão grandão” a cada ano, manter a inflação mais ou menos controlada, investir centenas de bilhões de dólares por ano sem ter poupança para isso e continuar gastando à vontade para fazer uma política anticíclica e, além disso, tentar ostentar um mínimo de austeridade fiscal.
O resultado é a progressiva desarrumação da economia, provavelmente nas mesmas proporções em que estão sendo desarrumadas as finanças da Petrobrás. Pelo menos a presidente, Graça Foster é mais sincera sobre estragos na área dela do que tem sido o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre os estragos na área dele.
A política de congelamento de preços dos derivados de petróleo é da mesma qualidade que a política de congelamento de preços e salários imposta pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Mas não é só por isso que ela é condenável. É, também, por sabotar a capacidade de investimentos da Petrobrás. Ou o governo Dilma revê o Plano de Negócios da Petrobrás ou revoga esse regime de preços dos combustíveis.
Há seis anos não é realizada nova licitação de áreas para exploração de petróleo. O governo Dilma finalmente concordou em fazer mais duas: uma na área do pós-sal (acima da camada de sal), agendada para maio, e outra, no pré-sal, prevista para novembro.
O novo marco regulatório exige que, nas licitações do pré-sal, onde o regime de concessão será de partilha, a Petrobrás será obrigada a entrar em todos os projetos com participação de, ao menos, 30% em cada um. Entre as áreas a serem licitadas está o Campo de Franco, comprovadamente uma jazida gigantesca de óleo e gás. Significa que o prêmio a ser pago pelos vencedores da licitação dessa área pode chegar a dezenas de bilhões de dólares. Ou a Petrobrás será obrigada a concorrer com novos e enormes desembolsos ou a licitação será novamente adiada – até que a capacidade de investimentos da Petrobrás seja recomposta. Outra hipótese será a revogação da exigência dos 30%.
Não só os governos Dilma e Lula devem ser responsabilizados pelo desmanche da Petrobrás. Seus funcionários, sempre grandes parceiros no processo de engrandecimento da empresa, hoje se omitem. Mobilizam-se para greves com o objetivo de elevar sua participação nos lucros da empresa. Mas não se mostram empenhados em que a Petrobrás se restabeleça e volte a apresentar bons resultados.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Mentira tem perna curta



 O ministro Joaquim Barbosa é bem conhecido dos brasileiros. Elevado ao grau de celebridade ao humilhar publicamente o então presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, em uma das mais polêmicas audiências do tribunal. Sem papas na língua, Joaquim Barbosa disse a Mendes o que muitos brasileiros queriam dizer a respeito da arrogância e da magnânima atuação de Gilmar Mendes (sempre para o lado dos poderosos) envolvendo casos de corrupção. 
Agora, o ministro volta às manchetes jogando mais uma vez no ventilador ao desmascarar o descarado complô que é ensaiado pelos ministros do STF (a maioria indicada pelo PT) para causar a prescrição dos crimes do Mensalão; transformando em uma enorme pizza mal cheirosa o processo que poderia ser um marco na moralização da política nacional e destruiria boa parte da cúpula petista, ao colocá-la atrás das grades.
Tudo começou com uma entrevista "em banho-maria" do Ricardo Lewandowski, revisor do caso. Nessa entrevista, Lewandowski deixou escapar que o processo caminhava para a prescrição porque não haveria tempo hábil para julgá-lo. Afinal de contas, o ministro Joaquim Barbosa havia tido uma série de problemas de saúde e atrasara a entrega do seu relatório sobre o caso.
Com a celeuma levantada pela imprensa, o presidente do STF – ministro Cezar Peluso – quis fazer "uma média" com a opinião pública e dar um ar de legitimidade ao complô que se anunciava. Mandou redigir um ofício instando Joaquim Barbosa a acelerar o processo e enviar os autos para análise dos seus colegas o mais rápido possível.
Malandro... Cem anos de Lapa... E frequentador do Bar Luiz... O ministro Joaquim Barbosa sentiu que era preparado um cenário para culpá-lo pela prescrição do processo e tornar palatável para a opinião pública o desastre da impunidade dos canalhas mensaleiros. Como homem que honra seu posto e de coragem de sobra, Joaquim Barbosa pegou a "perna de anão" que lhe entregaram – embrulhada para presente – jogou-a para o alto e acertou em cheio o ventilador só STF.
Com uma declaração bombástica, desmascarou todo o esquema armado para levar o processo à prescrição e inocentar a corja que se apoderou do país. Disse: "Os autos, há mais de quatro anos, estão integralmente digitalizados e disponíveis eletronicamente na base de dados do Supremo Tribunal Federal, cuja senha de acesso é fornecida diretamente pelo secretário de Tecnologia da Informação, autoridade subordinada ao presidente da Corte, mediante simples requerimento".
Ou seja, mostrou com todas as palavras que os ministros ignoraram o processo até agora simplesmente por preguiça ou por pura vontade de deixá-lo prescrever, garantindo a absolvição do pessoal. Joaquim Barbosa ainda critica "na lata" a falácia de que está "atrasado" com o processo: "Com efeito, cuidava-se inicialmente de 40 acusados de alta qualificação sob os prismas social/econômico/político, defendidos pelos mais importantes criminalistas do país, alguns deles ostentando em seus currículos a condição de ex-ocupantes de cargos de altíssimo relevo na estrutura do Estado brasileiro, e com amplo acesso à alta direção dos meios de comunicação". Continua: "Estamos diante de uma ação de natureza penal de dimensões inéditas na História desta Corte".
Não satisfeito em desmascarar o claro acerto que há para que o processo prescreva Barbosa ainda mostrou que "atrasados são os outros". O processo do Mensalão tem 40 acusados, defendidos pelos mais caros advogados do país, todos ocupantes de cargos de grande poder no Estado Brasileiro. O processo tem mais de 49 mil páginas; 233 volumes e 495 apensos. Os réus indicaram mais de 650 testemunhas de todo Brasil e até de outros países. Mesmo diante de todo esse trabalho, o ministro Joaquim Barbosa manteve o trâmite normal de trabalho no STF e ainda julgou inúmeras causas nesse período. Enquanto isso, seus colegas, com ações envolvendo dois ou três acusados e que foram iniciadas na mesma época; ainda sequer foram concluídas.(*)
Mais uma vez, "matou a cobra e mostrou o pau". Sem pudores e sem medo, Joaquim Barbosa expõe claramente quem está comprometido com os interesses dos corruptos e busca desculpas para justificar o injustificável.
Diante de tudo isso, pelo menos para mim, fica a ideia da quase certeza em relação à prescrição do caso. Nem é preciso lembrar que um dos ministros indicados por Lula, o ministro Dias Tófolli, foi colocado ali "sob medida" para esse processo. Pois, para quem não se lembra, ele foi advogado de defesa de José Dirceu.
Pelo menos, se tudo der errado, teremos visto a coragem e o desprendimento do ministro Joaquim Barbosa dar um tapa na cara dos que tentavam imputar-lhe a culpa pela prescrição. Se o processo acabar por prescrever e não condenar ninguém; o desfecho terá sido por vontade dos ministros, sendo necessário que eles arrumem outra desculpa esfarrapada para justificar a cara-de-pau.
É como minha velha mãe dizia: "Mentira tem perna curta".

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Retratinho da política no Brasil




Dona Dilma se elegeu, foi ao segundo turno sem o menor risco, questão de detalhes. Com essa minoria espantosa, Dona Dilma teve que se compor de qualquer maneira, nesse ineficiente e atrasadíssimo presidencialismo-pluripartidário. Com 29 partidos, alguns sem eleger ninguém, assim mesmo é preciso o popular “toma lá dá cá”.
Geralmente “tomam” logo, e não “dão” nunca, não têm o poder de troca. Lula enfrentou o mesmo problema nos dois mandatos. É urgente-urgentíssima (tipo de voto que está na Constituição) uma reforma partidária séria, profunda, que permita a um presidente governar sem precisar de 39 ministros, que já serão 40 no mês que vem.
Essa bagunça partidária é de tal ordem que o senador Crivella se licenciou para assumir o Ministério da Pesca. Ridículo e absurdo, desapareceu. Esse setor é importante, mas deveria fazer parte de um ministério, digamos o da Agricultura.
Nada vale nada ou representa alguma coisa, nos compromissos de Dona Dilma e do Planalto. No primeiro ano teve que demitir oito ministros, quase todos por irregularidades, prática ou tolerância com a corrupção. Não puniu ninguém, falou em “faxina”, o pluripartidarismo não permitiu mais do que o afastamento do cargo, o mesmo partido indicando outro titular.
Assim gastou o primeiro ano, mais ou menos efêmero em matéria de realização. O segundo, totalmente vazio, escuro, perdido. Inflação alta, não investimento, infraestrutura desaparecida, o PIB inexistente, dispersão de todas as previsões e esperanças.
Mas a oposição não apareceu, vir de onde? Dona Dilma está absoluta, em plena campanha para a reeleição. A chamada oposição não tira seu sono, a preocupação é interna e não externa.
Diante do fracasso ostensivo de 2012, Dona Dilma “passou recibo”, fez essa afirmação, garantindo: “2013 será todo administrativo, política só em 2014”. Mas logo, logo quebrou o pacto com ela mesma, “confidenciou” ao governador de Pernambuco: “Serei candidata à reeleição em 2014”. Dentro do combinado, ele divulgou amplamente a “confidência”. Nada contra ele, presidente não faz confidência.
Agora, administrativamente 2013 já acabou. Dona Dilma está em plena campanha eleitoral, no Planalto ou fora dele. Com isso, todos os partidos também se jogaram nas ruas ou na televisão, fazem a mesma coisa, só que não têm a responsabilidade de comandar um país.
O PSDB deveria ser o grande aglutinador de oposição, quase tão importante quanto o governo. Só que o PSDB não consegue se aglutinar nem internamente. Os mesmos personagens que integraram o retrocesso dos 80 anos em 8 de FHC. Vivem acordados ou desacordados sem saber o que fazer. Pensam (?) em 2018, que parece ser o objetivo geral, excluídos Lula e Dilma, presentes em 2013 para a conquista de 2014.
O governo Dilma vai desmorando, nem precisa de oposição para isso. O PSDB, sem nenhuma convicção ou identidade, ameaça (?) novamente com Serra, Alckmin ou Aecio Neves, que corre o risco de se transformar em “jovem Mathusalem”. FHC já confidenciou a amigos: “Se eu tivesse menos 6 ou 7 anos”.
Esse é um retratinho da política que se alastra pelo país. E por falar em política, suja, como é comum, teremos que falar no Lula, que acabou sendo escolhido como O ALGEMAS DE OURO, prêmio mais do que justo. Atenção da Procuradoria federal, como vão as denúncias contra este indivíduo e a favor do povo?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Lula ganha o Troféu Algemas de Ouro, como o mais corrupto do ano

Renato Onofre (O Globo Online)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou 2013 vencendo mais uma eleição. Entre as personalidades mais corruptas de 2012, Lula ganhou com 65,69% dos 14.547 votos válidos o Troféu Algemas de Ouro. Em segundo lugar, com 21,82%, ficou o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido) seguido pelo governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), com 4,55%.
Lula ganhou disparado…
Ironicamente, a segunda edição da premiação organizada pelo Movimento 31 de Julho foi marcada pela fraude. Os organizadores detectaram a utilização de um programa de votação automática que criou perfis falsos no Facebook, que direcionou 38% do total de votos (23.557) para candidatos ligados ao PSDB e ao DEM.
A premiação, que aconteceu na tarde deste domingo no Leblon, Zona Sul do Rio, foi marcada pela descontração. Em clima de carnaval, com máscaras representando os candidatos que disputaram o Algemas de Ouro 2012, os manifestantes elogiaram a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na condução do julgamento do mensalão e lembraram os feitos “históricos” de cada concorrente.
ELEIÇÕES LIMPAS
Além de Lula, Demóstenes e Cabral, estavam no pleito o senador Jader Barbalho (PMDB-PA); os deputados federais Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Paulo Maluf (PP-SP); o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e sua ex-companheira de Esplanada, Erenice Guerra; o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido); e o empresário Fernando Cavendish.
— Depois de eleger poste, o ex-presidente Lula mostra que ainda tem fôlego para ganhar mais eleições daqui para frente. Foram três candidatos que fizeram jus à premiação. Todos eles se destacaram nas páginas do jornal, mas o ex-presidente se sobressaiu. No ano passado, ele foi responsável por um dos momentos mais lamentáveis da história brasileira ao tentar chantagear um ministro do Supremo. Acho que por sua atuação em 2012, e nem quero lembrar de Valérios e Rosemarys, ele mereceu esse troféu e o cheque simbólico de R$ 153 milhões — afirmou Marcelo Medeiros, coordenador do Movimento 31 de Julho.
No último dia 9, os organizadores comunicaram à imprensa e à rede social Facebook — plataforma utilizada para computar os votos — a tentativa de fraude. A denúncia partiu dos próprios eleitores da enquete que perceberam que parte das escolhas foram feitas por perfis falsos, recém-criados no ambiente virtual.
— Não é militância. Se fossem militantes, era válido. O que detectamos foi uma organização criada para fraudar a disputa. Coincidentemente, os votos sempre eram para candidatos da oposição do governo petista e Cabral — explicou Medeiros, que prometeu mudanças na plataforma de computação dos votos na próxima eleição.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Vencedores do Trófeu Algemas de Ouro serão anunciados domingo

Os nomes dos vencedores do Troféu Algemas de Ouro 2012 serão anunciados neste domingo, dia 20, durante o Grito de Carnaval do Pega Ladrão. Até lá, a coordenação do Movimento 31 de Julho, que promoveu a enquete no Facebook, estará fazendo a apuração para impugnar os milhares de votos falsos de softwares robôs usados para fraudar a votação dos maiores corruptos de 2012.
Sarney venceu em 2011
Segundo os organizadores da enquete, todos os dez candidatos ao troféu merecem as algemas, mas o resultado da votação tem de espelhar a verdade das urnas. Os votos estão sendo verificados com a ajuda dos eleitores, que fizeram centenas de comentários na página da enquete indicando eleitores repetidos, perfis com nomes diferentes e fotos iguais e sequências de votos vindos do exterior de perfis criados há poucos dias e com quantidade irrisória de amigos e interações. Além disso, os votos visíveis foram fotografados e analisados pela coordenação. Caso o Facebook não disponibilize todos os votos, a coordenação usará o critério de amostragem e fixará a margem de erro.
MAIS VOTADOS
Até o encerramento da votação, na terça-feira, dia 15, foram registrados mais de 23 mil votos, dos quais muitos são suspeitos. A coordenação comunicou a manipulação ao Facebook na semana passada e divulgou o caso na Internet e através da imprensa. Mas isso não inibiu a ação dos robôs fraudadores.
Os candidatos mais votados foram o ex-senador Demóstenes Torres, o ex-presidente Lula, o deputado Eduardo Azeredo, o ex-governador Paulo Maluf e o governador Sérgio Cabral. Mas essa ordem poderá ser alterada depois das impugnações. Os demais candidatos são a ex-ministra Erenice Guerra, o ministro Fernando Pimentel, o empresário Fernando Cavendish, o senador Jader Barbalho e o ex-governador José Roberto Arruda.
A primeira edição do Troféu Algemas de Ouro (2011) foi vencida pelo senador José Sarney com 60% dos 7 mil votos. As Algemas de Prata ficaram com o ex-ministro José Dirceu. E as Algemas de Bronze ficaram com a deputada federal Jaqueline Roriz.
A entrega das algemas aos mais corruptos de 2012 será durante o Grito de Carnaval do Pega Ladrão, neste domingo, dia 20, às 15 horas, no Leblon (esquina de Ataulfo de Paiva e Carlos Goes, em frente ao Cinema Leblon). O resultado final da votação será anunciado somente na hora da premiação. O vencedor das algemas de ouro também receberá um checão no valor roubado dos cofres públicos.
CANDIDATOS E OBRAS
Demóstenes Torres (ex-DEM/GO) – ex-senador, da Quadrilha Delta-Cachoeira.
Eduardo Azeredo (PSDB/MG) – deputado federal, envolvido no mensalão do PSDB de MG.
Erenice Guerra (PT) – ex-ministra da Casa Civil, afastada por tráfico de influência.
Fernando Pimentel (PT) – ministro do Desenvolvimento, acusado de consultorias fantasmas.
Fernando Cavendish (Delta) – ex-presidente da Delta, empresário líder no mercado da corrupção.
Jader Barbalho (PMDB/PA) – senador, escapou da Lei da Ficha Limpa; envolvido no escândalo da Sudam.
José Roberto Arruda (ex-DEM/DF) – ex-governador do DF, cassado por corrupção explícita.
Lula (PT) – ex-presidente, que não sabe do Mensalão nem do Rosegate, pelo conjunto da obra.
Paulo Maluf (PP/SP) – deputado federal, fugitivo da Interpol, pelo conjunto da obra.
Sérgio Cabral (PMDB/RJ) – governador do RJ, da Gang do Guardanapo, amigo da Delta.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Royalties: Dilma editará MP após dar veto parcial

247, com Reuters - A presidente Dilma Rousseff editará uma medida provisória após vetar parte do projeto de lei que modifica a distribuição de royalties do petróleo entre União, Estados e municípios, com o objetivo de preservar os contratos em vigência e garantir um prejuízo menor para as regiões produtoras do país, disseram duas fontes do governo nesta terça-feira.
Dilma tem até sexta-feira para tomar uma decisão sobre o projeto de lei aprovado na Câmara no início do mês, cujo texto aumenta as receitas de Estados e municípios não produtores e reduz os royalties recebidos pela União e Estados produtores, gerando protestos do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, de onde se extrai a maior parte do petróleo no país.
Ela vetará a parte do texto que muda a distribuição dos contratos atuais, preservando as alterações previstas no projeto para as concessões futuras, algo que até mesmo o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), acabou admitindo ao falar sobre o assunto após protesto "Veta Dilma", na segunda-feira.
"A tentativa é costurar um acordo que agrade pelo menos um pouco a pouco a todos", disse uma fonte do governo. Dilma é contra mexer na divisão das atuais receitas, posição que atende também os governadores do Espírito Santo e São Paulo.
Para não desagradar aos governos estaduais e municipais não produtores de petróleo, que preferem que não ocorra nenhum veto ao atual projeto, Dilma também estaria disposta a outras contrapartidas, como a renegociação de dívidas junto ao governo federal, uma das principais reivindicações dos governadores e prefeitos, e também aumentar o Fundo de Participação de Estados e Municípios, segundo uma das fontes.
A parte da lei que seria mantida pela presidente trata das regras de pagamento e distribuição de royalties nos campos do pré-sal, que serão licitados pelo regime de partilha, com o primeiro leilão previsto para novembro de 2013.
Mesmo nesse ponto, uma das fontes ouvidas pela Reuters afirmou que há problemas técnicos na proposta aprovada pelo Congresso, e o governo ainda está estudando qual a melhor forma de resolver.
A presidente Dilma estaria preocupada com uma eventual enxurrada de liminares e medidas cautelares de prefeituras e governos estaduais, o que geraria mais insegurança jurídica sobre a exploração de petróleo no país e poderia atrasar o cronograma de leilões de 2013 --o primeiro, ainda sob o regime de concessão, está marcado para maio.
Uma terceira fonte do governo afirmou nesta terça-feira à Reuters, sob condição de anonimato, que a presidente teme que qualquer solução que ela adote em relação ao tema não impeça uma batalha judicial dos produtores e dos não produtores.
Municípios e Estados produtores já teriam dado a receita dos royalties como garantia em empréstimos, inclusive junto ao Banco do Brasil, e prometem ir ao Judiciário garantir suas receitas, segundo as fontes.
Pelo projeto aprovado no Congresso Nacional, os Estados produtores, como Rio de Janeiro e Espírito Santo, perderiam arrecadação já a partir de 2013.
E os não produtores já passariam a receber recursos a partir de 1º de janeiro, o que tem mobilizado políticos para manter o texto atual, para garantir em breve aumento de receita.
Esses recursos, no entanto, seriam dos contratos já em vigor, uma vez que os futuros contratos ainda levarão alguns anos para começar a produzir petróleo.
O governo do Rio estima uma perda de mais de 3,4 bilhões de reais no próximo ano, e de 77 bilhões de reais até 2020, somente dos contratos existentes, considerando o texto aprovado pela Câmara.
Esse cálculo foi feito pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio e leva em consideração o dólar a 2 reais e o barril do petróleo a 90 dólares.
Para Rafael Schechtman, especialista em regulação na área de petróleo e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), a ameaça de uma corrida ao Judiciário contra a lei dos royalties, caso o texto atual prevaleça, poderia comprometer os leilões de novos blocos previstos para 2013.
"A questão do rompimento dos contratos é um argumento muito forte", disse ele.
Dilma avalia, entretanto, que uma possível judicialização é resultado da falta de acordo no Congresso sobre a questão e que o Planalto não pode ser responsabilizado.
A presidente ainda estuda se colocará na MP a obrigação para que todos os recursos provenientes dos royalties sejam aplicados na educação, como o governo chegou a propor durante a tramitação do projeto na Câmara segundo uma das fontes.
Congelamento dos valores
A respeito de um possível congelamento de valores dos royalties, negociação que estaria ocorrendo em Brasília, conforme noticiou nesta quarta-feira o jornal O Globo, o governador Sérgio Cabral afirma ser totalmente contra e que Estado pode ir à Justiça se a medida chegar a ser concretizada.
O secretário de Desenvolvimento do Estado, Júlio Bueno, disse ao jornal carioca que Cabral se mostrou inconformado com a ideia. "Isso não pode. Não tem como se congelar um valor, é totalmente ilegal. Qualquer solução nesse sentido iremos à Justiça", garantiu Bueno.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Caso Rose é grande teste na relação Lula-Dilma

247 - Nos primeiros dois anos do governo Dilma Rousseff, a relação entre ela e o ex-presidente Lula experimentou vários momentos de tensão. Um deles, a demissão de Antonio Palocci. Lula foi contra, mas sua posição não prevaleceu.
O ex-presidente também tentou segurar outros aliados, como Alfredo Nascimento e Orlando Silva, mas sempre foi voto vencido diante dos argumentos apresentados por ela. 
Passadas as turbulências, tudo voltava ao normal, sem nenhum ruído ou sinal exterior de tensão. E a relação crescia quando Dilma encarava a oposição, como quando escreveu uma nota contra um artigo de Fernando Henrique Cardoso em que Lula era atacado, ou nas vitórias eleitorais recentes.
Agora, no "caso Rose", é diferente.  Antes, Dilma demitia ministros indicados por aliados políticos – salvo a exceção de Palocci. Agora, o nome da crise é Lula, de quem ela se vê forçada a se desvencilhar.
Lula, quando chegou de viagem da Índia, onde recebeu o prêmio Indira Ghandi, se disse "apunhalado pelas costas".
Interpretou-se que a fala era dirigida à sua ex-chefe de gabinete em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, que teria feito tráfico de influência sem o seu conhecimento.
No caso da Operação Porto Seguro, diversos constrangimentos teriam sido evitados, se o ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, tivesse maior controle sobre as operações mais sensíveis da Polícia Federal.
Não para que Rose fosse poupada ou protegida. Mas para que a demissão ocorresse sem estardalhaço.
Hoje, Lula enfrenta diversos constrangimentos. É acusado de favorecer nomeações, como a da filha de Rose na Agência Nacional de Aviação Civil, após conversas ao pé do ouvido. E pode ter caído no grampo da Polícia Federal.
Do ponto de vista pessoal, os problemas são ainda maiores. Rose já é chamada de "mulher de Lula" por blogueiros, como Reinaldo Azevedo. Outros tucanos, como Xico Graziano, espalham pelo Twitter que ela e o ex-presidente teriam um caso extraconjugal. E jornais publicam informações de que Rose era uma espécie de "madame" ou segunda-dama, usando cartões corporativos sem nenhum tipo de controle.
O nome da crise atual é Lula. Uma crise que, segundo aliados de Lula, deveria ter sido evitada.