Helio Fernandes
Examinei detidamente os bastidores desse que é, sem qualquer dúvida, o
mais importante julgamento já acontecido no Supremo e no Brasil. Sou o
único jornalista julgado pelo Supremo. Outros foram processados (muito
diferente), contrataram advogados, não se preocuparam com os resultados,
foram todos arquivados. Entre esses, Rui Barbosa, Prudente de Moraes
neto, João Dantas, dono e diretor do Diário de Notícias.

O brilhante ministro Carlos Veloso, quando presidia o Supremo,
inaugurou no belo prédio do Rio um centro cultural extraordinário.
Discursava, de repente parou, olhou para o lado, afirmou: “Tenho que ter
cuidado ao falar sobre o Supremo, estou vendo ali o jornalista Helio
Fernandes, ninguém conhece como ele a História do Supremo”. O ministro
está aí, aposentado, mas sempre atuante.
BASTIDORES DO SUPREMO
E DO PLANALTO
O mais alto tribunal do país continua com 10 ministros, Dona Dilma há
quase 6 meses não preenche a vaga de Ayres Brito, que caiu na
expulsória em novembro, ao completar 70 anos. Por que a demora? Não é
demora e sim incerteza, indecisão, receio de influir de uma forma ou de
outra nos recursos que serão julgados a partir da defesa dos advogados.
Ela pode completar o número de ministros em 1 ou dia ou 2. Escolhe,
indica ao Senado, este examina imediatamente, aprova, devolve, a
presidente nomeia, falta apenas a posse. Nem é inédito, já aconteceu.
Qual a dúvida que levou a presidente a não completar o número
constitucional de membros da mais alta corte do país? Pode fazer maior
levantamento do passado do nome (que já escolheu?) que integrará o
Supremo.
Naturalmente não conversará mais com ele, sobre suas convicções e
ideias, principalmente depois da enorme repercussão da questão Fux-José
Dirceu. Mas não escapará, de jeito algum, de ser responsabilizada pelo
voto desse 11º ministro, que já deveria estar no tribunal há muito
tempo.
COMO VOTARÁ ESSE ATÉ AGORA
DESCONHECIDO MINISTRO
Se ele votar contra os que foram condenados por 5 a 4, definindo o
resultado em 6 a 4, a presidente não escapará da crítica interna,
perguntarão ou comentarão: “Foi para isso que demorou tanto, escolhendo
um ministro contra nós?”
Se o novo ministro, por convicção, ou por sentir que há uma ligação
remota mas existente, mesmo que não visível, votar com os outros 4
anteriores, empatar a decisão em 5 a 5, portanto absolvendo os que estão
recorrendo, qual será a reação geral?
Sobre ele, reação de desconfiança, não dirão publicamente, mas
sentirão. Fora do Supremo, na chamada opinião pública, nenhuma dúvida:
“Foi nomeado para isso, não ia contrariar quem o escolheu para o cargo”.
Se o novo membro do Supremo decidir a favor dos condenados,
transformando inteiramente o julgado, um desastre para presidente. Nem
preciso analisar o que dirão. Como a sociedade, vá lá, na ampla maioria,
sentiu-se realizada com as conclusões do julgamento, ficará
decepcionada e até revoltada com a reviravolta.
E se manifestará de todas as formas possíveis e imagináveis,
condenado a presidente. Ela será atingida na popularidade. Como a
reeleição só acontecerá dentro de 18 meses, pode ser que tudo seja ou
esteja esquecido. Mas esta análise e as considerações certamente
contribuirão para deixar o tribunal incompleto.
A presidente tem ainda alguns dias para se decidir, ou aumentar o
tempo do Supremo incompleto. Mas 6 meses para nomear um ministro,
inédito.
TEORI ZAVASCKI,
A NOVA ESTRELA
Discreto, competente, sereno, com 10 ou com 11 ministros no plenário,
será o voto conflitante mas decisivo. Como não votou antes, vai votar
agora, sem qualquer preocupação com um lado ou outro. Não precisa de
ninguém, conversa pouco, nem presidirá a casa, cairá na expulsória
dentro de 5 anos.
Na questão do prazo para os advogados de defesa, foi ele que sugeriu
aumentar de 5 para 10 dias, contrariando o próprio Joaquim Barbosa, que
não gostou, não teve um só ministro que o acompanhasse. Zavascki teve
todos.
Muito interessante, todas as atenções estarão voltadas para ele.
Mesmo que algum outro ministro modifique o voto para o 5 a 5. Ainda aí
Zavascki será decisivo e definitivo.